Teria a vida algum sentido?

Olá, indo direto ao ponto eu jogo a pergunta que todos deveriam fazer: a vida tem sentido?

Perceba que não pergunto qual é o sentido da vida, mas sim se ela tem algum. Muitas pessoas – se não praticamente todas – começam a pergunta por uma falácia, que é a falácia da pergunta complexa.
Quando pergunto, por exemplo, qual é o sentido da vida, existe uma crença silenciosa em meu discurso de que ela tem um sentido.

Qual é o sentido da vida? (logo, existe algum sentido a ser encontrado)

Já eu vos pergunto: A vida tem algum sentido?

Bom, o assunto é meio que delicado.. mas foda-se. Não vou me incomodar de colocar minhas opiniões pessoais nesse texto.

Começo por dizer que somos um nada jogados no mundo. Somos condicionados pelo meio em que vivemos. O homem é a síntese de múltiplas determinações, como acertadamente já disse Karl Marx muito tempo atrás.
O mais importante é saber que não nascemos prontos. O ser humano é um animal cultural, logo ele é um animal construído.
Cultura, do latim, significa cultivar, cuidar etc. Daí a agricultura, o cultivo da terra. Psicultura, o cultivo de peixes.
O ser humano é um ser que se cultiva. Melhor dizendo.. o ser humano é um ser que precisa ser construído para ser um ser humano. Isto é: nascemos um nada (não nascemos prontos) e somos o que somos por conta das condições as quais vivemos (o meio em que vivemos nos condiciona a ser isso ou aquilo).
Digo isso para chegar à conclusão de que o ser humano não existe sem cultura, assim como não existe cultura sem existir humanos.

Ora, se somos condicionados pelo meio – que é cultural – e se só existe o meio se existir humanos, quem é que cria o meio? (e o que isso tem que ver com o sentido da vida? calma..)

Ora pois! Nós criamos o meio. E é precisamente isso que nos faz humanos. Nós transformamos a natureza através do trabalho, que é uma atitude consciente. Os outros animais se adaptam ao meio para continuar sobrevivendo. O homem precisa construir seus meios de sobrevivência, transformando a natureza.

Isso quer dizer que o homem não é ainda homem quando vive na natureza, ele deixa de o ser quando transforma esta para a sua sobrevivência. Oponho aqui Cultura e Natureza. O ser humano não é um ser natural, é um ser cultural.

É uma relação dialética: transformamos a natureza (e tudo o que é construção humana é tido como cultural) para sobrevivermos, assim nos tornamos humanos. Por que? Porque nossa construção passa a nos moldar.

Voltando ao início do post, o ser humano é a síntese de múltiplas determinações. Bom, se ele é determinado, ele não é livre não é mesmo? Ora, somos determinados até o instante em que percebemos que estamos sendo determinados! A partir daí, somos nós que regemos nossas vidas. Somos condenados a ser livres, a escolher nossa própria vida e o que somos é responsabilidade nossa. Sartre diz isso com muito acerto.

Mas, de novo, o que isso tem que ver com o sentido da vida?

Ora, se somos o que somos por conta do meio em que vivemos e somos ainda responsáveis pelo o que somos a partir do momento em que nos damos conta que somos determinados e se ainda o homem não é nada (não nasce pronto) mas sim é construído, então não existe uma essência humana.

Dito isso, pode-se afirmar que não exista uma essência da vida? Um “o quê” que defina o que é a vida, para quê ela serve.
Quem somos nós? De onde viemos e pra onde vamos? Ora, perguntas complexas (falácias, volta barrinha..)

Kierkgaard disse uma vez que o homem é o náufrago. O que é o náufrago? É aquele peão que se acidentou num barco e se encontra (sic) desolado, perdido no mar. Para onde ele olha, vê água e o céu acima de si. Tudo o que o náufrago quer é se agarrar em algum resto de seu barco para não afundar por ora.. mas, inevitavelmente ele afundará.

O que é a vida? Uma paixão inútil. Nascemo um nada e morreremos incompletos. Toda coisa existente nasce sem razão, se prolonga por fraqueza e morre por acaso.
Não existe um sentido em se viver. Uma vez vivos, não queremos morrer. E, meus caros, para morrer.. bom, basta estar vivo!

Um outro filósofo diria que filosofar é aprender a morrer. Não estou muito certo disso ainda. Schopenhauer (que é um alemão que eu odeio) disse que não se incomodava com a morte, pois ele estava morto milhões de anos antes de nascer e isso nunca o incomodou. Hum.

Para os budistas, a vida é sofrimento. Nascemos chorando, vamos sofrer a vida toda e, para que esse sofrimento acabe, precisamos morrer! É uma desgraça total. E qual é o sentido disso que chamamos de vida? Nenhum, caminhamos para a paz derradeira, sem choro nem vela.

Não é a toa que existem religiões. O ser humano é fraco demais para encarar sua própria desgraça, precisa culpar alguém a respeito das coisas que acontecem em sua vida. Coisa boa: graças a deus. Coisa ruim: deus escreve certo por linhas tortas.
Bom, se no fim das contas deus vai acabar fazendo a vontade dele, não se é livre.

E é isso mesmo que os religiosos – esse covardes – querem. E é isso o que os padres – esses caluniadores por profissão – ensinam: abrir mão da própria vida.

O que as pessoas querem é que nasçamos covardes ou não. Assim elas têm uma desculpa. “ora, nasci assim, sou assim mesmo, a vida é assim, fazer o quê?”

Você, desgraçado leitor, pode objetar que minha visão de mundo nos condena ao imobilismo da desgraça e ao quietismo. Principalemte os marxistas farão isso. Entrarei no debate com unhas e dentes dizendo NÃO. A minha visão de mundo é otimista, pois vejo na falta de sentido de minha própria existência a responsabilidade minha – e não dos deuses – em dizer e determinar quem serei e como viverei.

O desgraçado leitor também poderia me chamar de pessimista, mas apenas um covarde se nega a assumir as rédeas de sua própria vida para culpar alguma entidade exterior a si (deuses, sociedade..)

Enfim, é confundido o próprio desespero de morrer que esses covardes têm com a minha visão realista de que somos nada e morreremos tentando ser algo é que me chamariam de pessimista.

O homem precisa saber o que ele vai fazer com o que fizeram dele. Assim falou Sartre.
Faço um addendum: o homem precisa. Precisa de qualquer coisa. Daí que eu usei o exemplo do náufrago. Por que?

Porque todos nós somos como Sísifo (se vira pra saber o que eu quero dizer com isso).

O homem prefere querer o nada a nada querer.

Anúncios

3 comentários em “Teria a vida algum sentido?

Deixe vossa opinião!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s