O ser humano é um nada!!!(?)

Oi, tudo bem?

Hoje eu resolvi falar de um dos maiores pensadores que já pisou que nessa esfera azul que habitamos. Ele foi um existencialista (já chego lá) francês que viveu intensamente o sec XX em sua militância, repensando o marxismo embuido de fenomenologia de Edmund Husserl com pitadas do cogito cartesiano.
Teve um affair com a feminista e filósofa Simone de Beauvoir, o qual ele se pronunciou dizendo que foi uma relação necessária.

Casal enigmático de intelectuais

Estou falando de Jean-Paul Sartre, um dos maiores intelectuais de todos os tempos, então gostaria de pedir o perdão para falar dele, pois sei o quanto é difícil compreendê-lo e pode ser que eu faça uma leitura errônea de sua filosofia – leitura essa que EU considero essencial se queremos entender o que é ser um ser humano.

Simone de Beauvoir escreveu O Segundo Sexo, onde ela defende a ideia de que ninguém nasce mulher, mas torna-se mulher. Leitura obrigatória a todos e todas!

Falarei do Sartre maduro – não tocarei no Sartre do imaginário – e, para tal, vou comentar um pouco de um dos maiores textos já produzidos de filosofia chamado O Existencialismo é um Humanismo.

Esse texto foi elaborado para responder as várias críticas que a filosofia de Sartre então recebera, críticas essas que vieram de todos os lados. Já no começo Sartre, de maneira muito didática, expõe as críticas que os católicos e que os marxistas direcionaram à sua filosofia.

Os católicos acusaram Sartre de condenar o homem à imobilidade do desespero imerso na desgraça e os marxistas acusaram-no de construir uma filosofia contemplativa, ou seja: burguesa (que não serve para nada).

Mas que filosofia é essa? Ela é uma filosofia que se inicia o “Eu”

Pense num objeto como o livro que tem um artífice por trás de sua existência. O artífice do livro tem um conceito de livro em sua mente, sabe como fazê-lo, sabe para que serve um livro, sabe as medidas e materiais.. ele tem, por assim dizer, a receita do livro. Nesse sentido, existe uma essência de livro antes que o dito livro venha a existir.

Pense agora no ser humano. Existe uma essência humana? Isto é, existe algo que defina o que e como é ser um ser humano? Sartre é curto e grosso: não.
Aqui entram as críticas dos católicos. Para eles, deus existe e é o criador, o artífice de todas as coisas e o homem é a sua criação perfeita (só eu que acho esse deus incompetente? eu consigo imaginar mil  coisas melhores que o ser humano, enfim..).

O existencialista vai dizer: a existência (daí existencialismo) precede a essência. Ou seja: primeiro o ser humano existe, depois ele vai ser definido.
Aqui, não entra deus na equação. E como diria um cara que eu não me recordo o nome agora “a única coisa que deus pode fazer é deixar de existir para que o homem seja livre”.

E é isso mesmo! A filosofia de Sartre ronda a questão da liberdade – calma, tô chegando lá.

Se não existe uma essência humana, o homem é um nada que se vê jogado no mundo, sem definição alguma, sem essência nenhuma.
E como o homem é construído? Ele é moldado pelo mundo (peguem o marxismo para entender essa parte ou Maurice Merleau-Ponty com o seu a priori histórico). Mas o homem não é passivo diante da história! As condições materiais de existência determinam o ser humano, mas é o próprio ser humano quem cria e destrói essas condições materiais de existência. É uma relação dialética.

Primeiro, para que o homem seja livre, é necessário retirar deus da equação. Não importa a Sartre se deus existe ou não (ele nunca escreveu ou tentou provar a inexistência de qualquer deus) mas o que realmente importa é que, se queremos que o homem seja livre, ele não pode ter uma essência que o defina desde o nascimento como a criação divina.

Mas por que se quer tanto ser livre?

Ora, só podemos responsabilizar alguém por seus atos se ele agiu livremente. Por isso que algumas pessoas alegam loucura – que nada mais é que não estar em posse de suas vontades corporais – quando assassinam alguém, para que não sejam presos.. eles não podem ser presos se estavam fora de si na hora do ato. Sem que se seja livre, não há responsabilidade.

“o homem é condenado a ser livre”

O homem é condenado a ser livre porque, primeiro, ele não pede para nascer e se vê jogado no mundo e, segundo, porque uma vez que ele se vê jogado no mundo, ele tem que decidir o que ele vai fazer com sua vida.

“o homem precisa saber o que fizeram dele, para não ser ingênuo
depois ele precisa saber o que ele vai fazer com o que fizeram dele”

Ou seja, o homem é responsável por si mesmo, é responsável por aquilo que ele é. E ele é, primeiramente, um nada que está se fazendo no mundo.
Se fazendo como? Através de suas escolhas.

Em nossas vidas, fazemos escolhas e somos livres para escolher. Posso escolher fazer X ou não fazer X. Posso até não escolher, mas eu teria escolhido não escolher

Quando escolhemos, estamos mostrando ao mundo o que consideramos ser o Bem. Se escolho não comer carne, estou dando um exemplo do que eu considero ser o melhor hábito alimentar.
Assim sendo, quando eu escolho, de certa maneira eu estou escolhendo por todos, estou mostrando a todos o que a minha razão me convenceu a escolher como a melhor escolha possível.

Ser condenado a ser livre é isso, não dá para não escolher. Você pode escolher não ser livre, mas ainda assim o deixar de ser livre teria sido uma escolha livre! E a escolha causa a náusea.. a responsabilidade de sua própria vida em suas escolhas. Não há determinismos, não há desculpas, somos aquilo que nós mesmos fazemos de nós.
Aqui os marxistas caem matando o pobre Sartre.

Partindo dessa filosofia, é natural que se pergunte:

“mas de onde vamos tirar um código de conduta de certo e errado para que possamos escolher com certeza? Já que não existe um deus que cria valores eternos cravejados no céu..”

Essa foi apenas uma introdução ao pensamento de J-P Sartre, um dos maiores intelectuais de todos os tempos, escritor de romances como A Idade da Razão, A Náusea entre outros..
Vencedor do prêmio Nobel de literatura, recusou a receber o prêmio como uma atitude política de protesto.
Foi prisioneiro dos campos de concentração nazistas durante a segunda guerra mundial e, entre outras coisas, fumava um cachimbo estiloso e era vesgo.

Sejam bem-vindos ao pensamento de Sartre e à Liberdade levada às últimas consequências
(continua no próximo post)

 

 

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2 comentários em “O ser humano é um nada!!!(?)

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